sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

São Paulo – Aoyama



Não conheço ninguém que more em SP e goste de comida japonesa que nunca tenha provado o rodízio do Aoyama. Para quem não sabe, a casa da família Nagai foi pioneira em oferecer pratos da culinária japonesa em sistema de rodízio, o que começou lá em 1999. O sucesso foi imediato. O modelo foi copiado – estima-se que hoje existam mais de 100 restaurantes especializados em rodízio na cidade, mas o Aoyama sempre foi referência. Em 2012, o restaurante foi premiado em votação popular como o “melhor restaurante japonês de São Paulo”.

Pessoalmente, acho que o título é um pouco de exagero. Que a rede de restaurantes, hoje com 5 unidades na cidade (Itaim Bibi, Higienópolis, Moema, Jardins e Morumbi), tem o rodízio mais completo da cidade, isso ninguém discute. Mas será que quantidade é sinônimo de qualidade? Na opinião deste blog, a resposta é NÃO. O Aoyama faz bonito em alguns pratos, mas a preocupação em querer oferecer mais de 100 opções entre entradas, sushis, sashimis, temakis e pratos quentes faz com que a cozinha escorregue em alguns pratos.

O rodízio é servido em duas versões – no almoço, um pouco mais “limitado”, são “apenas” 54 itens – 9 opções de entradas, 3 de sashimis, 15 de sushis, 12 de temakis, 15 de pratos quentes, além de sobremesa inclusa. No jantar, finais de semana e feriados, vale o cardápio completo, sem restrições: 19 opções de entradas, 3 de sashimis, 44 de sushis, 23 de temakis, 16 de pratos quentes, fora o docinho no final. Os preços são salgados: R$ 59,90 no almoço e R$ 64,90 no jantar, finais de semana e feriados.

O ambiente é moderninho e despojado, em alguns endereços a decoração pouco lembra um restaurante japonês. Os jovens são maioria nas mesas, que também recebe muitas famílias. Raramente não há filas de espera nos horários de pico.


Moema, salão interno (fonte: www.restaurantesjaponeses.com.br)

O serviço é rápido, até demais. Assim que você chega, senta e pede as bebidas, as porções começam a chegar à mesa – como são muitas opções de entrada, para agilizar o serviço a casa montou um “kit boas vindas”, com cerca de 10 pratos. Se você quiser provar outros, é só pedir. A medida que os sushis, temakis e pratos quentes vão saindo, vão se acumulando na mesa, que sempre será pequena para tanta comida.

O bombardeio de comida impede que você aprecie a culinária japonesa com calma, como deve ser. Acho que o restaurante deveria servir os pratos com mais calma para não dar a impressão de ser um “fast food” japonês. Como as casas ficam muito lotadas, passam a impressão de que o giro é a alma do negócio: cliente tem que comer rápido e ir embora.

Sou apreciador da culinária tradicional japonesa, o que não significa que não veja com bons olhos certas invenções brasileiras, como cream cheese. Todavia, confesso que tenho aversão a certas invenções do Aoyama, como sushis com frutas, aberrações com tomate seco ou temakis com molho rosé. É igual pizza – fazer a tradição com perfeição é obrigação, certa criatividade é sempre bem-vinda, mas pizza de picanha não rola.

Do cardápio de entradas, fuja do tartar de salmão – prato tradicional francês, no Aoyama parece ser feito com peixe moído ao invés de cortado na ponta da faca, totalmente sem gosto, molengão e com um molhinho verde por cima ruim de doer. No dia da visita, nos serviram um rascunho mal feito de ceviche de peixe branco, seco e sem tempero. Não gostei do niguiri de salmão, raspas de limão, molho de mel, maracujá  gengibre – estava bem feito, mas aí é questão de gosto. Entre os acertos, o canapé de salmão, camarões empanado e à milanesa, carpaccio de peixe branco. O gyoza e o shimeji estavam na média.



Os sashimis de peixes variados (no dia da visita, os peixes eram salmão, atum e peixe branco, sem nenhuma novidade) chegaram à mesa frescos e bem cortados. Os sushis tradicionais agradam, e até combinações menos tradicionais, como salmão com couve crocante, ou atum, abacate, kani e maionese, fazem sucesso.



Na minha opinião o ponto forte do rodizio do Aoyama está nos temakis – são mais de 20 opções de cones generosamente bem recheados e com alga crocante. Não provei nenhum que tenha reprovado. A versão de salmão com couve crocante surpreendeu pela combinação de sabores, enquanto o “Ebi Furai com Salmão Grelhado” (camarão à milanesa, salmão grelhado em pedaços, pepino e cream cheese) mereceu alguns repetecos. :)



Entre os pratos quentes, teppan (grelhado) de salmão e katsu (milanesa) de frango e salmão foram aprovados. Os pratos com picanha oscilam muito – já comi carne mal passada e tenra, já comi carne bem passada e dura. Na dúvida, não peço para não passar raiva.


O teppan de salmão é uma ótima opção fora do rodízio

Na carta de bebidas, soube que lançaram uma sangria de saquê, frutas tropicais e hortelã (R$ 18,90). Ainda não experimentei, não sou muito fã se saquê, mas fiquei curioso. Se você já provou, conte aqui o que achou!

Endereços:
Itaim Bibi: Rua Bandeira Paulista, 405 - +55 (11) 3168-8011
Higienópolis: Praça VilaBoim, 63 - +55 (11) 3666-2087
Moema: Alameda dos Arapanés, 532 - +55 (11) 5052-7732
Jardins: Rua Padre João Manoel, 1069 - +55 (11) 3062-0885
Morumbi: Rua Doutor Fonseca Brasil, 108 - +55 (11) 2364-2087

Horário de funcionamento: Segunda a quinta das 12hs às 15hs (almoço) e 19hs às 23h30 (jantar), sexta das 12hs às 15hs e 19hs às 0h30, sábado das 13hs à meia-noite e domingo das 12hs às 23hs.

Internet: www.restauranteaoyama.com.br

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi viajante, e o preço, compensa???

Daniel Neves disse...

Se você é um(a) apreciador(a) da culinária tradicional japonesa e torce o nariz para invenções, não vale a pena. Melhor comer o rodízio do Dhaigo, 90% tradicional e mais barato - lá só entra cream cheese e tabasco.

Por outro lado, se você gosta de experimentar sabores diferentes, a imensa variedade do Aoyama é um baita custo/benefício. Apenas vale evitar alguns pratos, como o tartar de salmão, que só ocupará espaço no seu estômago.

Felipe Otake disse...

O Aoyama não tem, nem de longe, o rodizio mais completo de São Paulo. Talvez o mais variado, mas um rodizio que não tem polvo, e que alguns pratos estajam quase sempre "em falta" não pode ser considerado completo. De resto é um restaurante bom, em sua faixa de preço, um dos melhores. Mas também está longe de ser o melhor.

Guilherme Mazzini disse...

Só cuidado com essa dica do tartar. Eu e todas as pessoas que conheço acham esse um dos melhores pratos de lá. Tem gente que vai só por causa dele.

Balcão da Churrasqueira disse...

ENgraçado como gosto é gosto né... Sempre que vamos, eu e meus amigos pedimos uma bandeja só de tartar do tanto que gostamos

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